Um verdadeiro refúgio de beleza, tranquilidade e preservação da cultura caiçara raiz. Assim é a Ilha Diana, bairro aniversariante desta quinta-feira (15), destino encantador para quem busca contato com a natureza e deseja descobrir novos cenários de Santos. Localizada a cerca de 30 minutos do Centro, na Área Continental, o acesso é feito por barco, com passagens a apenas R$ 0,50, tornando o passeio acessível e cheio de significado.
Os passeios, sempre agendados (contatos abaixo), são conduzidos pelos próprios moradores, promovendo uma rica troca de saberes e a geração de renda para a comunidade. A experiência vai além do turismo: é um mergulho em uma história pouco conhecida, marcada pela relação profunda com o rio, o manguezal e a pesca artesanal.
A Ilha Diana recebeu esse nome por causa do Rio Diana, que a atravessa. Antigamente, era conhecida como Ilha dos Pescadores, denominação que refletia o modo de vida dos habitantes. Há também uma lenda antiga sobre uma índia chamada Ana que teria vivido na região. Os moradores originais não viviam exatamente onde a ilha está hoje, eles se deslocaram para a área atual após reconhecerem como ponto estratégico para a pesca.
O bairro começou a ser ocupado por pescadores no início do século passado. Embora não haja um registro oficial da data de fundação, a comunidade se formou no final da década de 1930 e abriga atualmente cerca de 150 moradores, que vivem em harmonia com a natureza.
Há 54 anos, sempre no mês de agosto, ocorre a Festa do Padroeiro Bom Jesus, em agradecimento pelo ano que passou. O evento celebra a fé, a cultura caiçara e a identidade da comunidade, com shows, gastronomia típica, como a tradicional tainha na brasa, artesanato e transporte gratuito de barco a partir do Centro.
Organizada em parceria com a comunidade e secretarias municipais, conta com apoio da Prefeitura e se consolidou como um dos eventos mais importantes da Área Continental, reforçando o turismo, a cultura e o sentimento de pertencimento local.
Moradora da ilha, Flávia Aleixo, que coordena o restaurante Sabor Caiçara e também atua com passeios turísticos, define a experiência como única. “Aqui é um verdadeiro lugar de tranquilidade e sossego”, conta.
Segundo ela, o diferencial da Ilha Diana está justamente em preservar sua essência. “O que faz a ilha ser diferente é continuar mantendo a ilha do jeito que ela é. Aqui é família”.
Mesmo com pouco tempo disponível, é possível aproveitar bem o destino. “Não pode faltar a gastronomia e o passeio de barco pelo Rio Diana. Dá para conhecer a ilha em poucas horas. O ideal é começar com um café da manhã, fazer o tour histórico, almoçar, assistir à apresentação dos apetrechos de pesca e fechar com o passeio pelo rio”.
A melhor forma de conhecer a Ilha Diana é vivenciar tudo com calma. “Andar de barco, conversando com os moradores, com o guia, um pouco de cada coisa. Qualquer cantinho da ilha é lindo".
O cuidado com o meio ambiente é um dos pilares da comunidade, conforme explicou Flávia. “Preservar a família, a união e a natureza", consciência que começa desde cedo: “as crianças já crescem sabendo que não podem jogar lixo no rio nem fora das lixeiras”.
Além das paisagens e da cultura, a ilha também oferece artesanato local, como bottons, imãs de geladeira, broches e bijuterias feitas com casca de marisco. O trabalho nasceu de forma simples e espontânea.
Zaira Santiago, moradora e dona do Cantinho da Zazá, conta como começou. “Sempre gostei de artesanato, fazia crochê, inventava coisas. Um dia pensei que a casquinha do marisco dava para fazer alguma coisa”.
O primeiro brinco foi simples, sem pintura. Com o tempo, o trabalho foi evoluindo. “Fui me aperfeiçoando sozinha, pintando, colocando enfeites, fazendo colares”.
Hoje, a procura por lembranças é grande e o artesanato se tornou mais uma forma de valorizar a identidade local.
A culinária é outro destaque imperdível. Os pratos são preparados com ingredientes frescos, pescados diretamente do rio e do manguezal. Entre os mais tradicionais, o filé de peixe, camarão branco e marisco lambe-lambe, conhecido como bico-de-ouro. 
Moradora há 30 anos, Patrícia dos Santos, de 49 anos, trabalha há 25 anos no tradicional Restaurante do Chilico. Para ela, a cozinha caiçara tem significado especial. “Os frutos do mar vêm praticamente do nosso quintal. A gente compra dos pescadores daqui mesmo, é tudo fresquinho”.
As refeições podem ser encontradas a partir de $ 70, dependendo do restaurante e da procura.
Segundo Patrícia, o cuidado faz toda a diferença. “Não é qualquer lugar que serve uma comida tão fresca”. O contato com os visitantes também é motivo de orgulho. “É uma satisfação enorme saber que estamos levando alegria para as pessoas. Receber elogios é muito gratificante”.

Quiosque As Guerreiras – aberto de terça a domingo (ou sob agendamento para grupos), das 12h às 24h.
Porções e refeições.
Contato: Sara – (13) 97401-0251.
Bar e Restaurante Chilico – atendimento por agendamento.
Porções, refeições e passeio de barco com guia local.
Contato: Patrícia – (13) 99741-8690.
Cantinho Verde da Zazá – atendimento por agendamento.
Porções e refeições.
Contato: Zaíra – (13) 98148-1414.
Quintal Caiçara – atendimento por agendamento.
Porções e refeições.
Contato: Jéssika – (13) 97408-9700.
Estrela do Mar – passeios de barco com guia local, porções e refeições.
Contato: Wellington – (13) 97422-9431 ou Elisa – (13) 97408-3130.
Sabor Caiçara – inclui café da manhã, almoço e pesca es´portiva.
Contato: Chocolate – (13) 99108-9433 | Flávia – (13) 99115-1538.
Agendamento de passeios para grupos escolares, excursões e afins:
Adriana- (13) 99664-0561
Ângela- (13) 99147-1470
Graziela- (13) 99676-7220
Sônia- (13) 99211-7387
Vinicius- (13) 99190-6508